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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

É possível...

O Governo do Estado decidiu enfrentar, com toda a energia, a onda de crimes que assola Goiás. Nada mais justo, nada mais oportuno. Afinal de contas, o bem maior que todos nós possuímos é, indiscutivelmente, a vida. E é desta vida que estamos falando. Até porque, de nada adiantaria viver em um estado progressista, rico, com boas perspectivas no campo socioeconômico, se não tivermos a tão decantada sensação de segurança. Trocando em miúdos, de nada adianta termos jóias, se não pudermos usá-las, sob o risco de sermos assaltados em via pública. De nada adiantaria possuirmos um carro de alto valor, se, no dia-a-dia corremos sérios riscos de perdê-lo em um assalto. De nada adiantaria termos uma boa moradia, se os ladrões a rondam diariamente na tentativa de adentrá-la. Assim sendo, ao lado do progresso, os governos, de uma maneira geral, têm, sim, de se preocupar com a vida, a integridade o bem estar e o sagrado direito de ir e vir de seus concidadãos.
E, esta possibilidade existe, ela é bem concreta e real. Basta a chamada vontade política, ou, a vontade de fazer. Afinal de contas, não é todo mundo que pode andar em carro blindado, ter seguranças à disposição e morar em palacetes cercados de alarmes, vigilantes e uma parafernália de equipamentos que prometem garantir a integridade para determinados cidadãos. Mesmo assim, uma hora, eles vão ter de sair do carro, da casa, vão ter de se expor. É aí, portanto, que entra a parte dos governos. Na via pública, nos locais públicos, nos eventos públicos o cidadão, desprotegido, necessita da ação enérgica do estado para garantir-lhe o que está escrito nos códigos, na Constituição.
Tem jeito de se implantar um projeto aceitável de segurança em Goiás? Claro que tem. Como no resto do Brasil também. Outros países já fizeram isto e deu certo. Quem não se recorda do plano “Tolerância Zero Para o Crime”, preconizado, adotado e executado pelo então prefeito de Nova Iorque, Rudolph Giuliani, no início dos anos 2000? Ele conseguiu, com o apoio da comunidade e com um projeto arrojado, inibir em níveis extraordinários, os índices de criminalidade que eram considerados os mais altos do mundo, na mais famosa cidade norteamericana. O que foi empregado ali? Muita vontade política, poder de convencimento e qualificação do aparelho policial. A partir de então, povo e governo de Nova Iorque se uniram e a criminalidade começou a baixar. Bandidos iam, de fato, para a cadeia. Quem resistisse, era tratado com a severidade que a lei permitia. Além disso, houve uma migração, quase que em massa, das gangues de Nova Iorque para outras cidades e outros estados. Resumindo, Nova Iorque, se tornou, em pouco tempo, em uma das cidades mais seguras do mundo.
Assim sendo, é possível que o Governo de Goiás, com o apoio das prefeituras, dos sindicatos, das lojas maçônicas, dos clubes de serviço, da sociedade organizada como um todo, dê aos goianos o que eles mais querem: segurança. Se o Governo fizer isso, o povo faz o resto. Ou seja: trabalha, progride, constrói, edifica, cresce e aparece. É hora, portanto, de se esquecerem as cores partidárias, as simpatias e antipatias, as doutrinas políticas e/ou religiosas para, irmanados, os goianos aproveitarem esta grande oportunidade de construírem uma sociedade fraterna, justa e com segurança. Basta querer.

O grande inimigo

Durante entrevista a uma importante revista de circulação nacional, esta semana, o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que o Brasil está diante de um de seus maiores inimigos de todos os tempos: o crack, a droga avassaladora que já fez um estrago praticamente irreparável na sociedade nacional. Uma porcentagem assustadora da juventude brasileira já se perdeu entre cachimbos, latinhas, tubos e outros apetrechos utilizados para o consumo desta, que é a mais letal droga em consumo por todo o mundo. O crack chegou ao Brasil há, relativamente, pouco tempo. Mas, seus efeitos mortais já causaram maior dano do que todas as outras drogas reunidas, em todos os tempos. É uma epidemia que atingiu, e continua atingindo, milhões de pessoas, lamentavelmente, em todas as faixas etárias e nos mais diferentes níveis sociais. Milhares e milhares de famílias convivem, diariamente, com esse drama, vendo filhos e filhas se consumirem em pouco tempo. Esta droga conduz as pessoas a um estado vegetativo, em muitos casos, sendo consideradas zumbis (mortos vivos), tendo em vista caírem na vala dos inúteis e dos improdutivos. Pais e mães de famílias deixando filhos; empregos; lares; igrejas, o convívio social, atraídos por este mal do século que, em duas ou três tragadas, vicia a pessoa de forma praticamente irreversível.
Em sua fala, o Ministro Padilha disse o que todos nós já sabemos: o Governo, por si, não consegue vencer o mal do crack. Ou a sociedade reage, enfrenta o problema de forma organizada, com coragem e eficiência, ou o futuro da juventude brasileira tende a descambar para um abismo sem fim. Não existem, no Brasil, clínicas suficientes para o tratamento de todos os viciados. Nem públicas, nem particulares. As poucas que funcionam estão superlotadas, com grandes filas de espera. Não existem medicamentos comprovadamente eficazes para se libertar o viciado em crack desse terrível problema. As organizações não governamentais, as igrejas de diferentes credos e denominações, assim como iniciativas esporádicas de outros setores tentam, pelo menos, diminuir a dor das famílias. Todavia, a coisa é muito desigual.
Saliente-se que o crescente número de viciados é incomparavelmente maior do que o número de recuperados. O que se torna imperativo, “para ontem” é o Governo Federal, com o apoio dos governos estaduais e municipais, além da sociedade organizada, lançar uma frente ampla de combate ao crack, pelo menos em duas vertentes: uma de assistência para quem já está mergulhado no vício (pessoas que não conseguem se libertar) e outra de sistemático combate policial/judiciário, agindo com rigor contra o comércio de drogas, principalmente criando dispositivos mais eficazes e mais eficientes para dificultarem esse estado de coisas. O Governo, se quiser, tem alguns exemplos interessantes que vêm dando certo em várias partes do Brasil e que podem ser copiados e/ou adotados de forma oficial. Aqui em Anápolis, mesmo, o trabalho da Cruzada Pela Dignidade é um dos que podem ser ampliados e estendidos em nível nacional. Do jeito que está é que não pode ficar. Saída tem. O que talvez esteja faltando é vontade política. 

E, a saúde, como vai?

Os governos (Federal, estaduais e municipais) continuam batendo cabeças na busca de uma solução para o crônico e crítico estado em que se encontra a saúde pública neste País. Recentemente, houve a discussão, nascida por conta da descoberta de uma doença grave no ex-presidente Lula, que mexeu com os formadores de opinião em todo o Território Nacional. O Estado (incluindo os três níveis de governo) tem, ou não tem, condições de tratar de seus cidadãos, oferecendo a eles o mínimo de dignidade quando adentram hospitais, clínicas e estabelecimentos afins, sem a retaguarda, a cobertura e a proteção de um plano de saúde?  Há quem diga que sim, há quem diga que não. Os do “não”, com certeza, são maioria.
Mas, a doença de Lula não trouxe nada de novo, a não ser a discussão que descambou para o campo político, com radicalizações, com deboches e, até, com vileza, por parte de alguns. É claro que ninguém quer ficar doente. E, na probabilidade de ficar, ninguém quer ser mal atendido, seja pelo SUS, seja pelo sistema particular. Ou, quer? Quem vai ao hospital, ao consultório, está carente de alguma coisa. Se é grave, ou não, depende do ponto de vista e da necessidade de cada um. Um infarto, por exemplo, se acudido a tempo, com bons médicos, com boa aparelhagem, com bons medicamentos, com certeza é mais fácil de tratar do que uma hemorragia, quando o paciente não tem acesso rápido, nem os serviços de qualidade. Então, a saúde pública no Brasil tem gargalos extraordinários que, muito embora os setores oficiais assegurem que “já foi bem pior”, deixam a população desguarnecida. E, saúde, não é brinquedo, não se pode postergar, não se pode “empurrar com a barriga”.
Noves fora o problema de Lula, que, por sinal, está sendo muito bem cuidado, segundo sua assessoria, por conta do bom plano de saúde que ele paga, embora a esmagadora maioria da população não possa assim o fazer  (uma maioria acima, certamente, de 99 por cento dos brasileiros, e brasileiras), também fica doente; é acometida de câncer; de hanseníase; de dengue; de tuberculose, de leucemia e de tantas outras moléstias consideradas graves. A opinião pública se remete, então, ao dia-a-dia, onde, repetindo, quem não tem plano de saúde, como o ex-presidente e alguns poucos privilegiados concidadãos, tem de enfrentar, mesmo, é as filas das santas casas; dos hospitais públicos; dos postos de saúde onde, nem sempre, os profissionais aparecem para cumprirem o que têm acertado em seus contratos de trabalho. Ganham pouco, não têm condições técnicas para trabalhar, não têm estímulo, não são prestigiados. E, o povo? O que tem a ver com isso? O povo já pagou, adiantado, pelo serviço. Todo mês, desconta-se em seu contracheque, em seu holerite, uma quantia que, dizem, é para custear tais atendimentos. E, o pior é que tem gente que acredita. Quanta ilusão. Os plantões públicos e, mesmo, privados, principalmente nos finais de semana e feriados prolongados, ficam entregues a estudantes; médicos residentes, estagiários. Não tem gesso, não tem medicamento, não tem raios-x, não tem nada. As recepcionistas, coitadas, se viram para explicarem o inexplicável. E, a vida vai seguindo. Ano que vem tem eleições e os brasileiros irão, novamente, às urnas, depois de ouvirem promessas e mais promessas de que “no nosso governo, a saúde pública vai melhorar! Mas, vai, hein?

Trânsito muito louco

Esta semana as autoridades goianas ligadas às políticas de trânsito trouxeram ao conhecimento da população aquilo que milhares de famílias em Goiás e no Brasil inteiro já têm conhecimento de sobra: as mortes por desastres automobilísticos são em números muito mais assustadores do que as que se observam nas zonas de guerra, incluindo Iraque; Afeganistão, Judeus e Palestinos, além de outros conflitos históricos. O trânsito em Goiás matou, no período de nove anos, quase 15 mil pessoas. Das que foram registradas no momento do óbito. Uma grande porcentagem das vítimas de acidentes nas rodovias, nas avenidas e nas praças de Goiás, morre nos hospitais, dias, semanas e, até, meses depois, em decorrência dos desastres. Só que, estas, não fazem parte das estatísticas.
É difícil encontrar, hoje, uma família goiana, onde não haja a notícia, ou informação, de que alguém tenha se envolvido em acidente. Com danos materiais, ferimentos leves; ferimentos graves; invalidez e, infelizmente, milhares de mortes. O Governo se assustou com os números, mas, esta é uma realidade da qual estamos diante. Não tem como fugir. São números frios, mostrando a violência e a crueldade do trânsito que deixa famílias enlutadas, na maioria das vezes, sem o provedor da casa, passando seu grupo familiar a sofrer constrangimentos, os mais diferentes.
A pergunta que fica no ar é: por que se mata e se morre tanto no trânsito brasileiro, por conseguinte no trânsito de Goiás? Não há uma resposta só. São respostas, explicações, justificativas que, infelizmente, não convencem a quem perdeu bens materiais, perdeu parentes, filhos, esposas, maridos ou pais. Nada vai trazê-los de volta. Da mesma forma, não há consolo para quem vai, para sempre, viver numa cadeira de rodas ou em uma cama, por decorrência do acidente que, quem sabe, poder-se-ia ter evitado.
São efeitos de uma guerra injusta. Mas, repetimos, é a realidade posta diante de todos nós, sociedade brasileira e goiana. Culpar a quem? São os carros que estão mais velozes, as estadas mais atrativas para uma velocidade maior? Seriam os motoristas brasileiros e goianos despreparados para trafegarem por ruas, avenidas e rodovias, cada vez mais cheias de veículos? A sinalização é imperfeita ou o consumo de álcool, apontado como a principal causa dos acidentes, seria o vilão de toda essa história?
Na verdade, pelo que se pode depreender, é um pouco de tudo isso, em maior, ou menor, intensidade, dependendo do caso. A pessoa que bebe, vai para o trânsito, mata, fere, causa danos, em alguns casos é levada para a Polícia e, em lá chegando, se tiver condições, contrata um bom advogado e vai embora. Se for condenada, o máximo que pode lhe acontece, na quase totalidade das vezes, é a prestação de serviços comunitários, doação de cestas básicas e outras penalidades infames. Mas são as que a lei permite.
A aplicação, agora, do chamado “dolo eventual”, em que o motorista, bêbado ou não, drogado, ou não, assume o risco de matar, quando dirige em situação de risco, ao que parece, não está intimidando a ninguém, muito embora ela preveja penalidades mais severas, incluindo a prisão do infrator. Entretanto, a solução, ainda, não estaria aí. Parece que passa por um processo educativo, casado com leis mais severas, onde o criminoso de trânsito seja tratado, na essência, como criminoso. Fora disso, é assunto sem valor.

BBB Anápolis

Em mais alguns dias, já deverá estar em funcionamento em Anápolis, o sistema de videomonitoramento em diversos pontos do perímetro urbano. Serão, a princípio, 25 câmeras. Para muitos, indiscretas, mas para outros, ferramentas importantes, que enviarão, em tempo real, as imagens coletadas, para uma central de processamento. Trata-se de uma medida controversa, já que algumas pessoas discordam, alegando invasão de privacidade. Entretanto, como se manter privacidade em praça pública, sob os olhares de todo mundo? É uma pergunta frequente. Este sistema, por sinal, já é adotado há anos em muitos países, onde a tecnologia é largamente empregada no sistemático combate às práticas criminosas.
Do outro lado da linha, há os que aplaudem a iniciativa, vendo nela um dispositivo importante para se controlar, não só o movimento de pessoas e veículos, mas por enxergarem neste projeto, um processo inibidor da presença de grupos e/ou indivíduos suspeitos em áreas de risco, como na região dos bancos e estabelecimentos comerciais. Se vai dar certo, se a incidência criminal cairá, só o tempo é capaz de responder. O que deve ser levado em consideração, todavia, é que alguma coisa tem de ser feita para dar à população de Anápolis a chamada “sensação de segurança”, o que, na realidade, está faltando.
A Prefeitura, por certo, está fazendo a sua parte e oferece mais este tipo de ajuda para a força policial. Com esse monitoramento, fica mais prática a adoção de projetos de vigilância, tomando-se por base, o que já se observa em outras comunidades brasileiras, onde sistemas semelhantes determinaram brusca queda no índice de crimes de tais naturezas. Isto vale dizer que as seguranças pessoal e patrimonial, continuam sendo as principais preocupações dos brasileiros em geral e, por certo, dos anapolinos, uma vez que o crime está mais modernizado, mais avançado e mais sutil. Não se escolhe mais hora, nem local e muito menos há a preocupação por parte dos assaltantes em esconderem o rosto quando vão roubar e assaltar. Atuam “de cara limpa”. Mas, com as câmeras filmando tudo, vai ser possível identificar muitos dos que enveredarem para o mundo do crime. Diariamente, a mídia mostra o desvendamento de delitos, feito a partir das imagens coletadas nos ambientes onde ocorrem os fatos criminosos. É a tecnologia a serviço da segurança comunitária. Tomara que, em Anápolis, também funcione.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Professor: Pouco, ou nada a comemorar

As chamadas grandes potências do mundo atual, como Alemanha; Japão; China; França, Estados Unidos e outras, se desenvolveram através da chamada “revolução cultural”, compreendendo os investimentos na educação e na cultura. Quem não se lembra do Japão devastado por uma guerra na década de 40 e que, em pouco tempo depois, encantava o mundo com seus grandes feitos tecnológicos, industriais e científicos. E o que dizer da Alemanha, também devastada pela mesma guerra, mas que em sua parte ocidental se reergueu em poucas décadas, sobrando recursos, inclusive, para a parte oriental, também sair do marasmo em que ficou após a divisão daquele país, felizmente, anos depois, reagrupado. A história está aí para comprovar o quanto foi importante investir na educação. Ao contrário de outros países que insistiram, e ainda insistem, nas guerras, na medição de forças, no confronto e que veem suas populações, a cada dia que passa, se perdendo no tempo e no espaço.
Assim sendo, fica mais do que claro que sem um projeto educacional de qualidade país nenhum se desenvolve. E um projeto como esse, passa, obrigatoriamente, por investimentos maciços na formação, na capacitação e na remuneração dos professores. O que, infelizmente, não tem sido visto por aqui. Para os governos que se sucedem no Brasil, gastar com educação é considerado despesa. Para os países que se desenvolveram, este gasto significou, e significa, investimento. Não adianta querer exigir do professor que ele ministre uma aula de qualidade, quando, em casa, ele passa por dificuldades até para a manutenção básica. Que dirá comprar bons livros; fazer cursos de pós-graduação; mestrado; tirar férias, viajar coma família e outras necessidades que não lhes é possível atender. Os governos do Brasil (Federal, estaduais e municipais) não enxergam isso. E, quem paga é a sociedade que vê os filhos frequentarem a escola e não aprenderem quase nada. Ou, nada. No dia 15 passado, celebrou-se o Dia do Professor no Brasil. Na verdade, eles teriam motivos para comemorar? A maioria, certamente que não. Por esse País afora, ainda tem professor que ganha menos de um salário mínimo por mês, dando aulas debaixo de árvores, em prédios caindo aos pedaços, com alunos sem material didático e sem qualquer motivação para aprender.
E, não adianta a justificativa de que “já foi muito pior”. No caso da educação, parece que não cola. Afinal de contas, se voltarmos algumas décadas na história, veremos professores respeitados pela comunidade; escolas funcionais; alunos interessados; ambientes sem crimes; sem drogas, sem imperfeições. E, naquele tempo, aluno sabia cantar os hinos cívicos, chamava os professores de “senhor” e “senhora” e quando concluía o antigo Ginásio, podia ir trabalhar em qualquer empresa, inclusive nos bancos, que dava conta do recado. Quem seguia para o curso Científico e similares, não precisava de cursinho para entrar na faculdade. Aliás, eles nem existiam. As normalistas iam direto para as salas de aulas trabalharem na educação das crianças. E, realmente, educavam e instruíam. Quem se formava doutor, era doutor mesmo. Advogados; médicos, engenheiros, saiam da escola e começavam a trabalhar, sem a necessidade de estágios e cursos complementares, dos muitos que existem por aí. É a pura verdade, embora alguns não concordem.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Plano diretor

Definitivamente, Anápolis não pode mais depender de quatro ou cinco ruas ou avenidas para seguir adiante na proposta de se tornar o grande eixo da economia do Centro Oeste. Hoje, praticamente tudo passa por vias como a Avenida Goiás e as ruas Barão do Rio Branco, Engenheiro Portella e General Joaquim Inácio. Estas vias, com toda a certeza, não conseguem mais fazer a logística do tráfego e, seguramente, já se transformaram no suplício dos anapolinos. Mas, não existem alternativas hoje em dia. Quem vem da região Leste para o centro da Cidade, só tem a Avenida Goiás como alternativa. Da mesma forma, o sentido inverso. Existem estrangulamentos que não permitem um fluxo mais eficiente e eficaz. Há quem diga ser inadiável criar-se um eixo Leste/Oeste, aproveitando-se a região da Avenida JK, ligando-a à Rua Eugênio Jardim e esta, à Avenida Getulino Artiaga.
Trata-se, certamente, de uma obra ousada, já defendida por algumas administrações, mas que não teve prosseguimento. Fala-se que há a necessidade de se desapropriarem áreas de alto valor comercial e que a Prefeitura não disporia, no momento, de recursos para tal finalidade. Entretanto, mais cedo, ou mais tarde, a solução deverá ser encarada. Afinal de contas, o volume de veículos não pára de crescer e a tendência é justamente esta: a conversão do movimento para o centro nervoso de Anápolis, onde estão as agências bancárias, as lojas, as repartições públicas e outros serviços essenciais.
O eixo formado pela Avenida Brasil seria, por assim dizer, o mais consistente e o mais racional, devido à estrutura oferecida. Mas ele, também, se não houver a descarga para rotas alternativas, não suportará, por muito tempo, a carga de veículos de todo os portes que por ali trafegam. Em determinadas horas do dia, até a grande Avenida Brasil se torna um problema para o trânsito anapolino. Quem procede, por exemplo, de bairros como JK; São João; Vila Esperança, DAIA, etc. e quer se dirigir ao centro, só tem a conexão da Avenida Brasil com a Avenida Goiás como alternativa. Se houvesse um redirecionamento do tráfego para a Rua Engenheiro Portella ou para a Avenida Miguel João, com certeza, haveria um substancial desafogo. Isto, para ficar nesses poucos exemplos. Existem dificuldades tão, ou mais importantes quanto estas. É o caso da Avenida Pedro Ludovico; da Avenida Mato Grosso, da Rua Leopoldo de Bulhões e outras em que, também, o grau de dificuldades é, praticamente, insuportável.
O certo é que, Anápolis precisa, urgentemente, de um plano diretor para seu trânsito. Reconhece-se o esforço da CMTT e da própria Prefeitura em buscarem soluções. Mas, se for feita uma pesquisa entre condutores de veículos motorizados e pedestres, certamente o nível de descontentamento seria grande. Muitos dirão, por certo, que é um problema nacional, que todas as cidades vivem esta situação. Mas, quem sabe Anápolis não dê, também, o exemplo nessa questão, criando um trânsito inteligente, seguro, confiável e mais humano. É difícil... Mas, tem jeito.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O que estamos esperando?

Estamos perdendo a nossa capacidade de amar! Lamentavelmente... Não sei se é por conta da corrida do dia-a-dia, ou se estamos, de fato, sendo escravizados pelas obrigações materiais que insistem em afastar nossos corações de outros corações. O certo é que estamos frios. Cada vez mais frios, cada vez mais distantes daqueles que nos são caros...
Não temos mais a elegância de oferecermos passagem para o outro condutor quando estamos ao volante. Nem temos mais delicadeza de enviar flores à pessoa amada. Não nos detemos mais pelo caminho para apreciarmos a singeleza estampada no sorriso de uma criança, ou, quem sabe, nos raios do sol em cada manhã. Não cumprimentamos os nossos vizinhos, isso pode nos roubar tempo...
A competição está fazendo de nós verdadeiras máquinas a serviço do capitalismo, do material. Somos uma “engenhoca” à procura de tudo, quando, invariavelmente, o produto desse tudo, acaba sendo o nada. Corremos atrás do vento. Não temos tido tempo para a família e os amigos. Nos limitamos ao “bom dia, boa tarde, como vai?”, feitos mecanicamente. Não temos tido tempo.
Desse jeito, e, assim sendo, viramos estanhos entre nós, passageiros da agonia. Estamos indo, não sabemos de onde, para aonde não sabemos. É a filosofia do novo século que está começando, nos atirando uns contra os outros, numa luta sem nexo, numa competição inexplicável, irracional, nos conduzindo para o desconhecido, o inimaginável, o começo de um fim.
Não podemos perder a nossa capacidade de amar. Amar as pessoas, amar as coisas boas, amar a nós mesmos. Isto, por que, somos simples viajantes de passagem por esse mundo. Nada trouxemos para ele e dele, nada levaremos. Esta é a grande certeza. Quanto ao mais, é bom saber que diante de tanta aridez, de tanto desengano, de tanto sofrimento e de tantas lutas perdidas, vale a pena amar.
De todas as virtudes, de todos os bens que possamos realizar, de tudo o que de positivo possamos produzir, é indiscutível que o amor, a emoção, o bem-querer, é o que nos conduz para mais perto de Deus. A propósito, foi Ele mesmo quem recomendou. “Amais uns aos outros, como eu vos amei”. “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. Já lemos isso? Já ouvimos isso? Então, o que estamos esperando?

O problemático trânsito de Anápolis

Já está passando da hora de se realizar um estudo mais aprofundado e sério para a implantação de um sistema racional de escoamento do trânsito urbano em Anápolis. A cada dia que passa, cerca de 30 novos veículos entram para a circulação nas ruas da cidade, que, por sua concepção original, não tendo seu traçado planejado, dificulta, ainda mais, o fluxo do volume de tráfego nos mais variados portes. Assim sendo, a cada mês, em média, são de 500 a 600 novos automotores ocupando os mesmos espaços, disputando as mesmas vagas de estacionamento e causando um crescente e desordenado trânsito, especialmente nas avenidas consideradas escoadouros naturais do grande volume de veículos. Em determinados horários o trânsito de Anápolis é impraticável.
Logicamente que não é nenhuma tragédia. Mas, caminha para ser.... Caso as autoridades não se debrucem sobre o assunto, em pouco tempo os anapolinos sentirão na pele, realmente, o que é viver o “inferno nas ruas”. Ainda dá tempo. Os dirigentes municipais devem, imediatamente, buscar normas essenciais para, por exemplo, definirem áreas e horários para as operações de cargas e descargas, obviamente, disciplinando o tráfego dos pesados caminhões pelas apertadas ruas do centro da cidade.
Em Anápolis, por incrível que pareça, ainda se permite o tráfego de veículos de tração animal pela região central. As calçadas, em muitos pontos, viraram estacionamentos ou áreas de exposição para mercadorias das lojas, expulsando pedestres paras as pistas de rolamento E, em ruas estreitas, no centro da cidade, é permitido estacionar-se nas duas margens, comprimindo, ainda mais, o sistema. Isso tem que mudar, e urgente. Essas modificações precisam ser feitas, com certeza, ouvindo-se usuários, comerciantes, a comunidade em geral. Áreas públicas ociosas, na região central, bem que poderiam ser transformadas em estacionamentos. Há gargalos complicadíssimos, como as avenidas Mato Grosso, Santos Dumont e Pedro Ludovico, que não oferecem alternativas de desafogo do movimento nos chamados horários “de pico”, causando incontáveis problemas. A criação de corredores para o transporte coletivo e a disciplina nos estacionamentos controlados, seriam, de início, as prioridades para se trabalhar.
Provado está, que, a simplista prática de colocação de placas, semáforos, barreiras eletrônicas e agentes fiscalizadores não resolve. Em determinados casos, fica pior. Sonhar com grandes viadutos nos cruzamentos das avenidas Brasil e Goiás, Universitária e Presidente Kennedy, por exemplo, é sabido que se está longe, muito longe de uma realidade. O que deve acontecer, com urgência, é um estudo científico, técnico e prático, com resultados racionais, para que a situação melhore. O que não dá para esperar é o encontro de uma solução que seja do agrado de todos. Inclusive dos pedestres que estão, a cada dia que passa, mais discriminados no trânsito das médias cidades como Anápolis.

O prazer da satisfação

Admitimos que não é fácil fazer jornal no Brasil. Ainda mais, fazer jornal no interior, onde, infelizmente, grande parte da população não tem acesso à informação impressa e, quando a tem, sente dificuldades em assimilar. Primeiro pela qualidade duvidosa de muitas dessas publicações. Depois, pela, ainda, frágil performance cultural de uma considerável parcela do nosso povo. Mesmo assim, ainda há os que, como nós, acreditam e sonham. Sonham, e acreditam que é possível se fazer jornal com qualidade, com ética, com respeito, acima de tudo, compromissados com a sociedade. Desse tipo de jornal que não envergonha a quem o faz.
Aos onze meses de vida, logicamente um prematuro veículo de comunicação, o CONTEXTO tem nos dado muitas alegrias. A principal delas é o prazer de uma regularidade precisa. São 48 edições ininterruptas, toda sexta-feira, nas primeiras horas da manhã, ele está nas bancas, nos domicílios dos assinantes, nos escritórios, nas fábricas, nas ruas. Já é um hábito, ler o CONTEXTO. Um hábito salutar. Mas, ainda há muito o que comemorar, celebrar. O CONTEXTO é lido nos parlamentos, nos tribunais, nos gabinetes onde se tomam importantes decisões. É o jornal de Anápolis, indiscutivelmente. Disso nós já tínhamos a convicção. Ele é feito com muita persistência, muita coragem, muita ousadia e, permitam, com muita competência. O que nos cala mais fundo, entretanto, é o reconhecimento da comunidade.
Estamos orgulhosos, sim, por liderarmos a pesquisa “Troféu Mérito Lojista”, trabalho da CDL em parceria com a Faculdade Fibra, como o melhor jornal em circulação na cidade. Concorremos com outros bons jornais e, com o reconhecimento da comunidade anapolina, vencemos. O prazer é redobrado, mas a responsabilidade aumenta muito mais. Este título nos obriga, já a partir desta edição, a nos esmerarmos mais, a nos preocuparmos mais com a qualidade, a buscarmos um trabalho cada dia mais perfeito, mais agradável, mais correto, mais eficiente. Cremos que vamos conseguir. Afinal de contas, o mais importante, que é o público leitor, está do nosso lado.

O país da embromação

Lamentável dizer, mas é verdade. Vivemos no país da embromação, onde a máxima é “não deixe para amanhã, o que se pode fazer depois de amanhã”. O pior de tudo é que estamos nos habituando a isso. Já se tornou comum, irmos ao médico, seja pelo SUS, seja pelo plano mais caro que existe, e termos de esperar duas, três ou mais horas. Nem pagando a consulta à vista, somos atendidos. E quando chega a nossa vez, o médico pede cinco, seis, dez exames. A maioria dos pacientes, que não tem como fazer, fica dois, três meses tentando e, quando consegue, a doença já se agravou, ou, em muitos casos, desapareceu.
Nas repartições públicas a coisa é pior. Para se conseguir um carimbo, uma certidão ou uma simples informação, não são raras as vezes em que temos de procurar o serviço por repetidas oportunidades, falar com mil pessoas, esbarrando, invariavelmente, na famosa burocracia. Isso, quando o contribuinte não é assediado tipo assim: “Ah, isso aqui é complicado, mas se o senhor der uma gorjeta sai mais rápido”. Quem ainda não se deparou com uma situação dessas, certamente é um felizardo.
Aos exemplos da saúde e das repartições públicas, podem-se juntar muitos outros, numa demonstração de que o povo brasileiro é, mesmo, massa de manobra. Se tiver pistolão, se tiver influência política ou econômica, às vezes dá-se um jeito. Entretanto, na maioria absoluta dos casos, é o jogo de empurra que vale. E não adianta choramingar. Quem ainda não foi reclamar da conta de luz, do telefone, da água, de tudo e voltou para casa frustrado, sem resolver a situação? Quantas e quantas vezes somos enganados, relegados a segundo plano quando buscamos atendimento em setores essenciais?
Finalmente, alguém algum dia, procurou o vereador, o deputado, o senador, o prefeito, o governador em quem votou, em quem depositou a confiança, e foi atendido? Se foi, com sidere-se um grande sortudo, Porque, na maioria esmagadora das vezes, nós, os simples mortais, não passamos da primeira secretária, ou recepcionista. “Vou avisar que o senhor esteve aqui, depois telefono dando um retorno”. É assim, ou não é? Vivemos, ou não vivemos num país do faz de conta, da enganação, onde o povo é pouca coisa mais do que nada, onde o fingimento é regra geral, onde cada um quer ser mais esperto do que o outro? Principalmente se esse outro for gente simples. Um dia o povo se cansa disso.

Aqui é o lugar

Nem tudo está perdido. Aliás, nada está perdido. Anápolis é uma cidade viável. Quem disse que não é? Basta ter otimismo, enxergar as coisas de forma positiva e trabalhar para que isto aconteça. Longe vai o tempo em aqueles que ganhavam dinheiro em Anápolis levavam os recursos para outras cidades e outros estados. Até mesmo para outros países. Ou seja: exploravam as potencialidades, a mão de obra, os recursos naturais de Anápolis e depois iam comprar gado no Norte, casa na praia, terreno em Brasília.
Anápolis sobreviveu a tudo isto e hoje, felizmente, já se pode dizer que muitos, ou pelo menos alguns, desses investidores, estão fazendo o caminho inverso. Voltando às origens. Também, se estes não o fizerem, os investidores de outras regiões assim o estão fazendo. Basta dar uma olhada em volta.
Os empresários de outras partes de Goiás, do Brasil e, até, do exterior, estão vendo um futuro promissor em Anápolis. São novas empresas, são novos núcleos econômicos, são novas perspectivas de faturar, ganhar dinheiro, circular o capital. A chegada da filial da Lojas Americanas é sintomática. Não pelo empreendimento em si. Mas, e muito mais, pela influência psicológica e lógica que isto representa. Esta empresa, uma das maiores das Américas, só investe onde tem a certeza do retorno, depois de pesquisas e levantamentos de mercados, de potencialidades.
Ora, se a Lojas Americanas viu o futuro em Anápolis, é um alerta para os empreendedores daqui. Seria bom que eles ativessem para esta realidade e começassem a pensar melhor no que fazer para acompanharem o ritmo de crescimento da cidade. Sob pena de ficarem à beira da estrada, vendo os outros progredirem. Modernizem suas empresas, treinem seus funcionários, invistam em campanhas publicitárias inteligentes, procurem atrair a clientela. Caso contrário, o destino é o fechamento das portas. No sistema capitalista é assim: quem não tem competência, não se estabelece. Para entrar na briga pelo cliente, é preciso mais do que vontade. É preciso ousadia, coragem e desprendimento.

O império do crime

Vergonhosamente o Brasil está se transformando no império dos criminosos, dos malfeitores, dos bandidos. Até que ponto isso vai chegar, ninguém sabe. A última bravata foi o seqüestro de dois repórteres da Rede Globo. E, mesmo quando a poderosa “vênus platinada” ainda não havia digerido o assassinato, cruel, frio e sanguinário de outro profissional de sua equipe, o repórter Tim Lopes. Vejam só... Até a Rede Globo!
O povo brasileiro já se acostumou a ver os bandidos darem ordens para fechar escolas, fechar comércio, fechar tudo no Rio de Janeiro. E são obedecidos cegamente. Como também já se habituou a ver os integrantes do PCC darem ordens de dentro das cadeias e, em questão de minutos, o crime virar São Paulo de pontacabeça. É a realidade.
Mas, desta vez, eles foram longe demais. Mandaram a Globo exibir uma fita onde um criminoso mostrou que “no Brasil, quem manda atualmente, é o crime”. Ou não? É a mais patente demonstração de que o estado de direito foi vilipendiado, que o Estado, enquanto governo, faliu em sua missão de proteger a sociedade.
Pobre Brasil, um país tão rico e ao mesmo tempo tão abandonado à própria sorte. O que será desse país? As respostas, certamente, ninguém as terá. As promessas, essas virão, ou já estão vindo, através das campanhas eleitorais, quando cada candidato, terá a solução na ponta da língua. Pura balela. Passa o tempo, a coisa piora. E, como piora.
Mas, há de ter um jeito nisso. Não é possível que as famílias, as pessoas de bem nessa nação, não tenham um mínimo de dignidade, de direito a viverem com segurança, em paz, em harmonia. É chegada a hora de dizermos um basta em tudo o que assistimos diariamente, como se fosse coisa normal. Estão matando, ferindo, roubando, estuprando, barbarizando, desmoralizando e descaracterizando o nosso Brasil. Isto aqui está virando o império do crime.

O grande irmão

De repente, no Brasil não se fala em outra coisa, não se cuida de outra coisa. O assunto, em todas as rodas de todas as camadas sociais, é a oitava edição do Big Brother Brasil, artifício que a Rede Globo, com muita eficiência, tem utilizado para entorpecer a mente da quase totalidade dos habitantes tupiniquins. Exageros à parte, o certo é que milhões de brasileiros, todos os dias, a qualquer hora, estão dando uma espiada no que acontece na casa mais famosa do País. Milhões de outros, não satisfeitos, ainda ligam (vários deles por repetidas vezes) para “elegerem” quem fica e quem sai da casa. Fantástica sedução social.
Quem defende o mega-programa vai dizer que ele é, apenas, uma repetição do que acontece nas televisões de muitos países e que os brasileiros somente acompanham uma tendência mundial. Verdade. Ou meia verdade. Pouca gente sabe que por detrás desse programa está uma grande rede de faturamento versada em muitos milhões de reais. Cada telefonema dado à Globo tem um custo. Têm, ainda, os que compram os pacotes para verem o programa durante todo o dia. E os que compram pacotes de telefone, para escutarem o que os moradores da casa estão falando o dia todo.
Não vai ser colocada, aqui, a questão moral, até para que não se soe como falso moralismo. A aparição sistemática dos figurantes bêbados, as cenas ardentes de relacionamentos entre eles, ficam para o julgamento de cada um. Afinal de contas, liga a televisão quem quer.
A discussão, todavia, é mais abrangente. O que se questiona é o que aconteceria no Brasil, se todos nós resolvêssemos praticar o “big brother da moralidade”. Explicando: se todos os brasileiros ligassem a TV nas emissoras do Senado e da Câmara Federal, das assembléias legislativas, se assistissem às sessões nas câmaras municipais, esse País seria outro, com certeza. Se todos nós prestássemos atenção no que acontece nas prefeituras, nos governos dos estados e no Governo Federal, quem sabe a bandalheira, que a mesma TV mostra, não seria bem menor, ou bem mais amena. Do jeito que está é que não pode, e nem deve, ficar.
Todo dia, toda hora, estoura um escândalo. O dos cartões corporativos é apenas mais um. O que estão gastando o dinheiro do povo nesse País é uma grandeza. As seguidas denúncias de corrupção, em todos os níveis são apenas, figuração? Ou elas existem mesmo? Se existem, por que a lei não tem a eficácia de mandar para a rua da amargura, para a cadeia, para onde quer que seja, esses malfeitores da pátria?
Enquanto ninguém responde a essas e outra indagações, os brasileiros honestos, trabalhadores, vão se contentando em ver, todo dia, o big brother. Aquele que mexe com o nosso imaginário, que faz a cabeça de muita gente e que, ao final, vai dar um milhão de reais para o vencedor, vai permitir a que outros participantes se tornem celebridades por determinado tempo, que as mulheres posem nuas para revistas de sexo e que, quem sabe, com uma boa dose de sorte, não viram atores ou apresentadores das redes da nossa televisão. Até o próximo BBB. Será o de número nove.

O fantasma do Brasil

Muitos países têm o seu fantasma. A França criou o “Fantasma da Ópera”, enquanto a Transilvânia (hoje Romênia), se notabilizou com o Drácula. O Brasil, também, tem o seu fantasma. O nome dele é desemprego.
Pesquisas apontam que esse danado é o terror do brasileiro. Os números, como os fantasmas, assustam. Os trabalhadores que não têm carteira assinada ultrapassam os 50 por cento da massa produtiva. Isso, sem contar os totalmente desempregados que perambulam pelas ruas em busca de “qualquer coisa”, e os que vivem no subemprego ganhando, igualmente, “qualquer coisa”. Fora os assalariados do mínimo, que de ridículo, deveria se chamar salário ínfimo. Talvez, salário mísero.
É humilhante para um pai de família, depois de vagar pelas ruas buscando uma vaga para trabalhar, retornar para casa com as mãos vazias, enquanto a esposa e os filhos clamam por comida, por dignidade. Não existe coisa mais doida do que ver uma criança chorando por um agasalho, um alimento, um remédio e os pais não ter como socorrer.
E esse fantasma não é exclusividade dos grandes centros. Nos grotões do interior, não há trabalho no campo. E, quando há, em muitos casos, é trabalho escravo. Nas cidades de médio porte, o problema é o mesmo. E, quando tem emprego, o trabalhador não está qualificado. Onde estariam os programas dos governos que se propuseram a preparar a mão de obra?
Os partidos estão em campanha política. Vemos todo dia nos veículos de comunicação candidatos falando mal uns dos outros. Não temos presenciado, entretanto, projetos exeqüíveis de se criarem mais empregos. O brasileiro espera dos candidatos à Presidência da República, aos governos estaduais, ao Senado, à Câmara Federal e às Assembléias Legislativas, propostas para que se reverta esse quadro desumano das filas para Bolsa Escola, Bolsa Família, bolsa isso, bolsa aquilo. O pacato cidadão quer trabalhar, receber o seu salário no final do mês. E não esmolas em formas de projetos, que servem mais para alimentar a vaidade e a demagogia daqueles que aprenderam a viver da desgraça dos trabalhadores.

O dito, pelo não dito

Fizeram o povo brasileiro de bobo. Mais uma vez. Foram horas e horas em frente à televisão. Centenas, milhares de páginas de jornais, revistas, ouvindo rádio, discutindo, comentando e analisando os escândalos (os mais recentes) nacionais. Gente que foi para a frente das câmaras pregar a moralidade e a ética. Gente que jurou aplicar a lei “doesse em quem doesse”. Lembram-se do “duela a quien duela”, do famigerado Collor? Pois é... Foi pior ainda.
Passados todos esses meses, com o tanto de dinheiro que gastaram dos cofres públicos, com as intermináveis sessões, as audiências, avião pra cima e pra baixo, as acareações, as denúncias, as escutas telefônicas, o escambau. No fim de tudo, nada. Nada mesmo. De iniciais 30 deputados que seriam cassados, o número foi minguando, minguando, minguando, não deve chegar nem a cinco. Se chegar. Os senhores parlamentares, mais corporativistas do que nunca, em nome da sobrevivência da classe, estão rindo de nós, os simples mortais, que pagamos seus polpudos salários.
Não vão punir ninguém, é fato consumado. Pode até ser que algum bobinho da boléia seja levado ao cadafalso. Pode até ser... Mas, o cristal trincou. O povo não acredita mais nessa história de mensalão, mensalinho, CPI dos Correios, CPI disso, CPI daquilo. O negócio é que daqui a algumas semanas, começam as convenções partidárias, ninguém vai querer mais saber de nada. Ou, melhor, vai! Os políticos vão cuidar de suas respectivas reeleições, manterem seus esquemas e se garantirem por mais quatro anos. Afinal de contas, a maioria esmagadora vive nesta “luta” há décadas. Não apeiam do poder.
Sem falar que em junho teremos Copa do Mundo. Logo depois, campanhas eleitorais, candidatos na TV o dia inteiro torrando a paciência do povo. Depois eleições, comemorações e, aí, já é final de ano, final de governo. Final de feira. Nada mais restará ao povo, a não ser ir para casa, mais pobre, mais humilhado, mais enganado, mais traído. Os políticos não. Estarão mais ricos, mais saudáveis, mais famosos. E também mais mentirosos. Com raríssimas exceções, é claro. Até por que, como já se diz por aí, “toda unanimidade é burra”.

Direito de cidadania

Estamos nos civilizando. Que ótimo! Os veículos de comunicação já não se preocupam somente com a violência, com a economia, com a política, ou com o erotismo descarado e sem pudor. Tenho observado que a cerca de um mês grandes redes de tvs, jornais e revistas estão veiculando, também, com assinaturas e iniciativas próprias, a solidariedade, os bons modos, os bons costumes, a cidadania. Prova de que os brasileiros também têm direito a serem cidadãos, a serem respeitados, a serem notados.
Ainda que defeituosos ou com propostas acanhadas, com muitos reparos a serem feitos, alguns projetos, realmente, sinalizam para um amanhã bem melhor. Temos de acreditar nisto. O Código de Defesa do Consumidor é um exemplo claro de que andamos alguns importantes passos. O Estatuto da Criança e do Adolescente, o Estatuto do Idoso, os programas de combate ao trabalho infantil, ao trabalho escravo, à prostituição, tudo isto, somado, reflete que o povo brasileiro, independentemente dos políticos, ou, até com eles, tem um fio de esperança.
Nossas leis estão avançando e para melhor. A reforma do Código Civil ampliou os direitos de família beneficiando sobremaneira os aspectos sociais. Embora carecendo também de uma reforma urgente, no sexagenário Código Penal introduziram recentemente severas penalidades para aqueles que atentam contra a honra e a moral, além ainda, da inclusão da controvertida Lei do Desarmamento. Embora muito desses direitos foram adquiridos por ocasião da promulgação da Constituição de 1988, somente agora a sociedade começa a colher os benefícios institucionais.
Quem sabe, com a tecnologia disponível, com a globalização de praticamente tudo, com o acesso à informação, nossos compatriotas não soltam o verdadeiro grito da independência? Afinal de contas, nem tudo está perdido. A educação, a gentileza, o cavalheirismo, a solidariedade, o amor ao próximo, coisas tão comuns ao nosso povo e que andavam desaparecidas por conta de uma corrida desenfreada, na cada vez mais competitiva sociedade, estavam sufocando as pessoas. O ter, em lugar do ser. O eu no lugar do nós, o famigerado “levar vantagem em tudo”, vão desaparecendo. Felizmente. Resta, agora, aproveitarmos esta onda e, cada um se esforçar para fazer a sua parte, dar a sua contribuição cívica. Eu, pelo menos, vou procurar fazer a minha.

O dever de cada um

Eleição é coisa séria. Mais séria do que muita gente imagina. Independentemente para que seja, ela é fundamental a fim de que a vontade de maioria se expresse, criando-se a elementar idéia de que a democracia nasce, e cresce, a partir da prevalência do desejo da parte numericamente mais consistente. Pode ser injusto às vezes, mas ainda não se encontrou fórmula mais próxima da satisfação humana. E não é por falta de tentativas. Outros procedimentos já foram experimentados, nenhum deles, entretanto, preenchendo a vontade popular.
Em outubro, a maioria dos anapolinos vai escolher os dezesseis integrantes da sociedade, legalmente habilitados, que assumirão, no começo de 2009, os destinos políticos e administrativos do município: o prefeito (ou prefeita) e os 15 vereadores, se, até lá, não houver mudança relativa ao quantitativo dos membros da Câmara Municipal. As responsabilidades são enormes, tanto para quem vai escolher, quanto para quem vai ser escolhido.
De parte de nós, os eleitores, é uma importante tarefa, composta de civismo, cidadania, compromisso e desejo de uma vida melhor, de uma cidade melhor, de uma sociedade mais justa e mais desenvolvida. Dentre outras coisas. Os eleitores, que na indevassabilidade da urna, num momento único, terão a chance de mudar (para melhor, ou para pior) os destinos de sua comunidade, por certo, devem carregar na mente, e na consciência, desde agora, a lucidez de quem pensa no amanhã, no seu futuro, no futuro de seus filhos, de suas empresas, de seus bairros, de sua comunidade enfim. Uma escolha mal feita agora, somente poderá ser consertada (se for) depois de quatro anos. Até lá, muito tempo já haverá se passado.
Quanto aos candidatos, o que se cobra, o que se pretende, é que eles sejam honestos, o quanto mais possível. Honestos, principalmente, para com eles mesmos. O Brasil precisa se livrar da pecha de país de terceiro mundo, de republiqueta subdesenvolvida, sinônimo de corrupção, atraso e outros tipos de bandalheiras, comuns nos tempos atuais, quando os escândalos não param de eclodir. É uma situação constrangedora, que pode, e deve, ser mudada, a partir do envolvimento de cada um, da vontade de cada um, da seriedade de cada um.
Estaremos escolhendo, dentre muitos candidatos, aquele, ou aquela, que se ocupará do cargo mais importante do município: prefeito (a), com a missão de governar para ricos, pobres, de esquerda, de centro e de direita. Governar para eruditos e iletrados; para religiosos e para céticos. Mas, vai ter de governar. Da mesma forma, elegeremos 15 parlamentares a quem competirá, por força constitucional, criar novas e fiscalizar o cumprimento das atuais leis municipais. Acompanhar a aplicação dos recursos públicos e, principalmente, representarem a sociedade que os eleger.
E, parafraseando o Almirante Barroso, que, na manhã de 11 de junho de 1865, na Batalha do Riachuelo, deixou escrita nos anais da história a célebre frase “o Brasil espera que cada um cumpra com o seu dever”, podemos dizer que Anápolis espera que cada um cumpra com o seu dever. Nesse caso, o dever dos eleitores em selecionar, entre centenas de nomes, os que forem melhores para a cidade. E, na seqüência, o dever dos escolhidos em corresponderem à confiança neles depositada.

O descobrimento de Anápolis

Anápolis tem o seu dia de fundação, claro. É 31 de julho de 1907, quando passou da categoria de vila, para a condição de cidade. Fato muito importante para aquele começo de século vinte. Era o desabrochar de um novo tempo, de uma nova proposta de povoação, de aproveitamento dos recursos naturais, do extrativismo, da pecuária, das lavouras então emergentes.
Anápolis tem, todavia, outro fato importante: seu descobrimento político. E, isso, deu-se na última segunda-feira, 31. E quis o destino que fosse, justamente, no seu aniversário de 99 anos. Os políticos, até que enfim, descobriram Anápolis. A presença de seis - Alcides Rodrigues não compareceu - dos sete candidatos ao governo de Goiás, participando de um debate transmitido pela TV, e registrado por importantes lideranças comunitárias, foi a senha para se afirmar, com segurança, que voltaram a se importar com Anápolis. Talvez nem pelos inúmeros avanços sócio/econômicos e culturais existentes.
Não se sabe se nem pelo que a cidade passou a representar nos últimos anos, como fonte geradora de riquezas, de proposta avançada no encaminhamento do Produto Interno Bruto de Goiás. Pode ser que seja pelos duzentos e tantos mil votos que estão, misteriosamente às vezes, camuflados entre a população, que espera o melhor momento e o melhor candidato para despejá-los. Os políticos perceberam isso.
No debate de segunda-feira, juras e mais juras de amor a Anápolis. Promessas mil, reconhecimento os mais diversos, garantias de que, “em sendo eleito, não me esquecerei de Anápolis”. Que bom isso acontecer. O povo anapolino já estava com saudades de coisas assim. E, mesmo que no debate tenham sobrado agressões, ironias, deboches, chiliques e, certamente, sinceridade por parte de alguns, ficou uma espécie de vazio, quando as discussões terminaram e ninguém sugeriu providências para se apoiar micros e pequenos empresários, os lavradores de subsistência, os desempregados da informalidade e milhares de outros excluídos, que perambulam pelas ruas em busca do sustento.
Quem sabe, num próximo debate, os candidatos se lembrem, também, de anunciarem projetos para a profissionalização dos menores praticantes de atos anti-sociais; das adolescentes grávidas gerando centenas de crianças sem a menor estruturação social, dos idosos que não têm seus direitos básicos respeitados; dos muitos outros peregrinos que não conseguem vagas nas escolas, nas empresas, na chamada inserção social. É aguardar para ver...

O cinismo ilimitado

Ninguém pode medir a capacidade da mente humana. Tanto para o bem, quanto para o mal. Quando é para o mal, certamente que há agravantes imponderáveis, inimagináveis. É de difícil compreensão, também a que ponto pode chegar o cinismo de muitas pessoas. São os chamados “caras-de-pau”, aqueles que não têm senso do ridículo, que passam recibo de dissimulados, beirando, muitas das vezes, à própria canalhice. Aproveitadores de primeira e de última hora, verdadeiros trastes sociais. Gente que vem ao mundo para servir de exemplo do mal, do nefasto, do expurgo social. Executores de atos, projetos e propostas que se vêem na contramão da história, maculando o que há de bom, elementos perniciosos, indesejáveis, maléficos ao extremo e que, infelizmente, renascem das próprias cinzas, tantas vezes quantas forem banidos de grupos sociais. Esta gente não sabe o que veio fazer no mundo. Se sabe, escamoteia muito bem, a ponto de passar por despercebida, aproveitando-se das brechas que a lei se lhe faculta para, sorrateiramente viver prejudicando o próximo, desrespeitando os princípios da ética, da moral, dos bons costumes e da honradez.
Agora mesmo, Anápolis e o Estado de Goiás assistem, estupefatos, o surgimento, ou o aborto, de uma candidatura ao Governo, que ultrapassa as raias da imbecilidade, tamanha a discrepância de que ela se reveste. O ex vereador Edward Júnior, que se notabilizou muito mais por se gabar de ser amigo de grandes autoridades federais, incluindo deputados, senadores e ministros, dos quais abusou na confiança, a ponto de se envolver em vários escândalos, em diferentes níveis, se acha no direito, se isso pode ser chamado de direto, em disputar a sucessão estadual. Quanta petulância!
Esse senhor, que tem no currículo - e faz questão e alardear aos quatro ventos - ter sido genro de um dos mais ilustres homens públicos que Goiás já conheceu, o inesquecível Henrique Santillo, (que por sinal nunca gostou dele e não concordava com o casamento deste com sua filha), num acesso de imbecilidade, com um misto de delírio e loucura, teve a infeliz e nefasta idéia, de iniciar a campanha política, igualmente violando o túmulo do ex-sogro.
Em troca de propaganda barata, ele teve a discrepância de levar ao Cemitério São Miguel, o candidato à Presidência da República, José Maria Eymael, para lá, num ato de populismo barato, faturar aplausos de uma meia dúzia de asseclas. Como se já não bastasse uma outra imbecilidade que ele cometeu, ao lançar a candidatura de sua ex-esposa, durante os funerais de Santillo.
Quisesse o senhor Edward Júnior fazer média sobre a memória de Henrique Santillo, bastaria que ele levasse, então, o candidato Eymael, para ver os benefícios que seu ex-sogro fez em Anápolis. Permito-me lembrar-lhe, dentre outras realizações, o sistema de esgoto sanitário, o prédio do Fórum, o Ginásio Internacional os feirões dos bairros, o sistema de água, asfalto na maioria dos bairros e muitas outras importantes obras.
Anápolis jamais perdoará este gesto insano, de uma pessoa insana, mal caráter, que se aparenta imbecil, se já não o for, tergiversar sobre a memória e a história de pessoas de bem. Certamente que a família de Henrique Santillo não estaria concordando com esta insensatez, esta verdadeira afronta às famílias e à história desta cidade. Muito embora, grande parte da população tenha pleno conhecimento da personalidade deste senhor. Seu histórico, pouco recomendável, tanto na política, quanto na vida empresarial, aponta para isso mesmo. Quem já trabalhou para ele, ou quem teve a infelicidade de negociar com ele, sabe, muito bem, de quem se trata. Sorte que o povo anapolino, laborioso, coerente, politizado como é, não se deixará enganar, mais uma vez, por gente dessa laia. Vai passar uma borracha em cima do nome de uma pessoa que nem mereceria ter passado por esta vida. E que, quando for embora, não vai deixar saudade alguma.